A Paciência
A falsa paciência
Nem todo sofrimento suportado é virtude. A causa pela qual se sofre revela se há paciência verdadeira ou apenas obstinação.
Trecho principal
Quando vires alguém sofrer com firmeza, não te apresses em louvar sua paciência antes de conhecer a causa pela qual sofre.
Se a causa é boa, a paciência é verdadeira. Se nasce da paixão, do vício ou da ambição, não merece o nome de virtude.
A paciência é companheira da sabedoria, não serva da concupiscência.
Meditação guiada
Muitas pessoas suportam grandes sacrifícios por dinheiro, vaidade, prazer, poder ou orgulho. Trabalham até a exaustão, toleram humilhações, enfrentam perigos, mas não por amor a Deus. Sofrem muito, mas não se tornam santas por isso.
Agostinho nos ensina que o sofrimento não santifica automaticamente. O que santifica é a caridade com que se sofre, a verdade pela qual se sofre, a fidelidade que se preserva no sofrimento.
Essa leitura purifica uma ilusão comum: pensar que todo sacrifício é virtude. Há sacrifícios que alimentam o ego; há renúncias que fortalecem a soberba; há perseveranças que apenas prolongam um apego desordenado.
A pergunta cristã é: por quem estou sofrendo? Pelo mundo ou por Deus?
Perguntas para reflexão
- * Tenho chamado de virtude aquilo que talvez seja apenas orgulho?
- * Pelo que mais tenho me esforçado: por Deus ou por reconhecimento?
- * Meus sacrifícios me tornam mais humilde e caridoso?
- * O que eu suporto por vaidade, mas não suporto por amor a Deus?
Propósito prático
Examinar hoje uma renúncia ou esforço pessoal e perguntar: “Isto me aproxima de Deus?”
Oração final
Senhor, purificai minhas intenções. Não permitais que eu confunda obstinação com virtude, nem sacrifício vazio com amor verdadeiro. Que eu sofra somente pelo bem, pela verdade e por Vós. Amém.
Palavras-chave
discernimento
falsa virtude
concupiscência
sabedoria
intenção
paciência
humildade
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